Avançar para o conteúdo principal

“«O Virtuoso», de Thomas Shadwell”, por Marionet.

A Marionet, uma companhia de teatro dedicada ao cruzamento das artes performativas e a ciência, não poderia deixar de fora do seu catálogo de projetos a apresentação da primeira peça teatral em que um cientista moderno é a personagem central. 

Escrita no século XII - afinal, não é assim tão "moderno" -, pelo poeta e dramaturgo britânico, Thomas Shadwell, a peça é uma clássica comédia de amores e enganos. O que a diferencia das outras é a perspetiva de Shadwell - e da sociedade britânica da época - para com os “Senhores da Ciência” e os seus métodos de investigação. É de destacar que o dramaturgo está a satirizar os primórdios da 'Royal Society', simplesmente, no nosso tempo, uma das mais prestigiadas sociedades científicas do mundo. Um começo atribulado que com o passar dos anos demonstrou o seu real “virtuosismo” - coloco a palavra entre aspas para a contrastar com o sentido irónico atribuído pelo autor ao longo da peça. 

Este espetáculo teve como responsável pela tradução, adaptação e encenação, Mário Montenegro. 

Apesar de ser um texto antigo, conserva caraterísticas e críticas intemporais. Mesmo com a longa duração do espetáculo, não senti que fosse algo massudo. Em certos momentos das explicações científicas é que sentia uma maior queda no ritmo do espetáculo, mas era algo contrastado com as dinâmicas fervilhantes das cenas dos amantes. Destaco a transição para o intervalo, como uma opção bastante interessante. 

Em quase todos os espetáculos que já assisti da Marionet, a utilização de projeção é algo recorrente. De responsabilidade de Pedro Andrade, incrementam a cena e dá contexto, apesar de abstrato, ao que se passa na ação. Contudo, questiono-me até que ponto a opção da projeção permanente não faz com que o público desvie o seu foco do enredo. Digo isto, porque, pessoalmente, em certos momentos, desviava a atenção para com a estranheza - até que agradável - das projeções, perdendo assim alguns momentos do conflito, ou de explicações. 

Destaco o trabalho de sonoplastia de Marcelo dos Reis e a sua aplicação nos tempos exatos, quase que contados ao milésimo.

Comentários