A obra de Diniz Cayolla Ribeiro apresenta-nos a história de uma mulher que, por infortúnio do destino, acaba por ficar tetraplégica após o parto. Depois de 30 anos em estado vegetativo, as sensações de inutilidade, raiva interior e enfado com o seu estado, ganham força no seu íntimo, acabando por descontar tal frustração na sua filha, agora, sua cuidadora, que se vê confrontada com as acusações pelo estado em que a sua mãe se encontra e a obrigação de cuidar da mesma. A tensão entre ambas ganha ainda mais dimensão pela incapacidade de a filha realizar o pedido da enferma de acabar com a sua vida. Numa noite a casa é assaltada e a mãe, sozinha, acaba por se deparar sem possibilidade de defesa contra o ladrão. Aqui, o “óbvio” prega-nos uma partida e o crime acaba por se transformar num encontro inesperado. Entre jogos de manipulação, negociações e debates morais, a questão de quem sai beneficiado com toda aquela discussão mantem-se em suspenso. Como já referido, a dramaturgia ...
Um espaço dedicado ao comentário dos mais diversos espetáculos e eventos culturais, com destaque para as apresentações teatrais.