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A mostrar mensagens de dezembro, 2024

“«Amantes Vitoriosos», de Brian Friel”, por Teatro Feiticeiro do Norte.

O Amor e as suas diferentes formas de ação e compreensão. Através da história sombria e de amor de um casal de jovens, Brian Friel, autor da obra, critica os costumes e preconceitos da sociedade conservadora da sua época, além do confronto dos amantes com essa mesma realidade.  ‘Amantes Vitoriosos’ é uma das duas peças que pertencem à obra, ‘Amantes’ (‘Amantes Vitoriosos’ e ‘Amantes Perdedores’).  A apresentação teve como responsável pela tradução, Orlando Vitorino e a encenação esteve ao comando de Élvio Camacho e Paula Erra.  Uma concretização bastante interessante, com destaque para a componente de cenografia, de responsabilidade de Ana Limpinho e Maria João Castelo, pela repartição dos elementos mencionados em texto por todo o espaço de cena e a interessante construção do barco, mais o trabalho corporal por parte dos intérpretes Filipe Gouveia e Sofia Nóbrega.  O ponto que me criou um certo desconforto, não diretamente ligado às opções cénicas, foi o facto de o r...

“«O Virtuoso», de Thomas Shadwell”, por Marionet.

A Marionet, uma companhia de teatro dedicada ao cruzamento das artes performativas e a ciência, não poderia deixar de fora do seu catálogo de projetos a apresentação da primeira peça teatral em que um cientista moderno é a personagem central.  Escrita no século XII - afinal, não é assim tão "moderno" -, pelo poeta e dramaturgo britânico, Thomas Shadwell, a peça é uma clássica comédia de amores e enganos. O que a diferencia das outras é a perspetiva de Shadwell - e da sociedade britânica da época - para com os “Senhores da Ciência” e os seus métodos de investigação. É de destacar que o dramaturgo está a satirizar os primórdios da 'Royal Society', simplesmente, no nosso tempo, uma das mais prestigiadas sociedades científicas do mundo. Um começo atribulado que com o passar dos anos demonstrou o seu real “virtuosismo” - coloco a palavra entre aspas para a contrastar com o sentido irónico atribuído pelo autor ao longo da peça.  Este espetáculo teve como responsável pela tr...

“«Na República da Felicidade», de Martin Crimp”, por Teatro da Rainha.

Uma obra impactante, crua, crítica e que nos faz rir da nossa própria precariedade. O dramaturgo britânico, Martim Crimp, ironicamente, intitula a sua obra de “Na República da Felicidade”, mas esta última palavra, “felicidade”, é algo muito escasso na peça. Possivelmente, a meu ver, podemos associar a “felicidade” à perceção do funcionamento das engrenagens da vida, ou seja,  como funciona o mundo que nos rodeia. Com palavras pouco cordiais, incisivas e duras, propõe um jogo cénico fora do tradicional, dividido em três atos, nos quais expõe a dureza, a precariedade, os defeitos e as utopias da nossa sociedade ocidental, num nudismo, por vezes cómico, mas arrebatador.  Esta produção teve como responsável pela tradução e dramaturgia, Isabel Lopes, a composição musical ficou a cargo de Carlos Alberto Augusto e a encenação a mando de Fernando Mora Ramos.  Foi a minha primeira interação com o trabalho de Martin Crimp. Achei interessante a composição da sua obra, a divisão da m...