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Mensagens

A mostrar mensagens de março, 2025

“Farol e o Uivo do Lobo”, por Teatro Loucomotiva.

O quão importante são as memórias? Recortes da vida que guardamos como marcos da nossa existência. Experiências e sensações que fomentam o nosso conhecimento e moldam a nossa personalidade, o nosso EU.  Infelizmente, por doença, é possível perder essa capacidade tão preciosa. O alzheimer e a demência, são exemplos de doenças cerebrais degenerativas que afetam a faculdade de recordar. A vida sem memória é como uma tela em branco. Falta algo… falta cor!  Para além daquele que se encontra num destino de perda constante da memória, também existem aquele que cuida, aquele que protege e auxilia. O cuidador informal, elemento fundamental ao longo de todo processo. Neste espetáculo, o Teatro Loucomotiva, apresenta-nos uma leitura segundo estas duas perspetivas.  A conceção textual e direção estiveram a cabo de Alexandre Oliveira.  Um trabalho muito interessante que joga entre a realidade e o imaginado. A viagem por uma mente inconstante, com todas as suas peculiaridades asso...

“HIMALAYA: A Invenção do Sol”, por Seiva Trupe - Teatro Vivo.

Apresentada em contexto das celebrações do ‘Dia Mundial do Teatro 2025’, esta produção da Seiva Trupe - Teatro Vivo, conta a história de um universo paralelo, em que o Sol, não se destruiu, mas se decompôs em raios do espectro de cores. Num jogo de viagens à memória, quebra da perceção entre ilusão e realidade e a exploração da temática das alterações climáticas, uma Rapariga, ajudada pelo padre Himalaya, em tempos, inventor da primeira máquina solar, almeja construir um equipamento capaz de concentrar todo o espectro de cores e reconstituir a luz branca, retomado o mundo à normalidade.  Esta peça surge a partir de uma ideia original de Sandra Salomé, também responsável pela encenação, e a criação textual esteve sob o comando de Pedro Leitão.  Recentemente, assisti à produção “Coro das Águas”, da Seiva Trupe - Teatro Vivo e, como já mencionado no “Diário de um Espetador”, não gostei nada. Como acredito que em relação às peças de teatro, o público não deve julgar apenas com um ...

“Deseja-se Fernanda!”, por Escola de Mulheres.

Em celebração aos 30 anos da companhia Escola de Mulheres e o assinalar dos 5 anos da morte da sua fundadora, Fernanda Lapa, um símbolo feminino no teatro em Portugal, esta obra surge como homenagem a essa grande mulher e toda a força feminista que representa. Por coincidência, assisti a esta peça num dia bastante especial para os amantes de teatro, o Dia Mundial do Teatro, a 27 de março. Um compilar de celebrações!  Com o título inspirado na obra “Deseja-se Mulher”, de Almada Negreiros, esta foi também a primeira encenação profissional da homenageada. Uma peça que celebra a vida e obra de Fernanda Lapa e revive a alma e força dos temas que a inquietavam.  A conceção textual teve como responsável Ana Lázaro e a encenação esteve sobre a visão de Cucha Carvalheiro.  Foi o meu primeiro contacto com o trabalho da Escola de Mulheres. Já havia escutado opiniões sobre a companhia e o trabalho da Fernanda Lapa, mas nunca o tinha vivenciado. Tive esta primeira oportunidade num mom...

“Parthenope”, por Paolo Sorrentino.

A subjetividade do BELO, da FELICIDADE, da PAIXÃO, das PEQUENAS AÇÕES, do OCULTO e da PERCEÇÃO. Temas que nesta obra ganham uma outra dimensão de observação e compreensão, pelo olhar do cineasta napolitano, Paolo Sorrentino - referência no cinema italiano contemporâneo.  Numa viagem épica pela vida de Parthenope, jovem rapariga que encara os "jogos do destino" com o seu devido ritmo, o atento cuidado e a essencial observação, num paralelismo com os misticismos, as peculiaridades e os encantos de Nápoles - uma bela epopeia napolitana.  Como já mencionado, o realizador deste filme é Paolo Sorrentino, sendo ele também responsável pela criação do roteiro. É de destacar a responsabilidade da direção de fotografia de Daria D’Antonio.  Como descrever tal obra prima? Uma questão que me paira na consciência até ao momento em que escrevo este comentário. Um filme divinal, em que a dramatização, a filosofia e a fotografia, mesclam-se nas proporções ideais. A cada cena ficava mais de...

“Coro das Águas”, por Seiva Trupe - Teatro Vivo.

Integrada na lista de companhias convidadas pelo antigo Ministro da Cultura (Pedro Adão e Silva) e pela Comissão para as Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril, a Seiva Trupe - Teatro Vivo, apresenta um espetáculo que revive o espírito da revolução e alerta para as ameaças contemporâneas contra a Democracia e as suas fragilidades.  Neste projeto, Castro Guedes, foi quem idealizou e concebeu as componentes textual e de encenação. Pelo que foi anunciado, esta será a sua última produção com a companhia.  Foi a primeira vez que abandonei um espetáculo a meio. O único até então que me apeteceu fazer o mesmo, foi a peça “Ilha de Morel”, de Fernando Guerreiro, numa coprodução entre o teatromosca e os Cães do Mar. Para minha sorte e de mais gente que assistia, a peça “Coro das Águas”, tinha um intervalo, o que permitiu que saíssemos sem perturbar os intérpretes e o restante público resistente. Uma experiência péssima, que desejo não voltar a repetir.  A meu ver, o espetáculo apr...

“Atrás da Felicidade”, por Marionet.

O conceito de FELICIDADE, segundo a sua descrição no dicionário, é o “estado da pessoa feliz”, ou seja, a sensação positiva, alegre e de satisfação de um indivíduo. Para alcançar tal objetivo, a pessoa deve percorrer um caminho individual de encontro ao seu “estado de felicidade” - cada um sabe do seu. Em contraste, existe a DOR, uma sensação física ou psicológica que proporciona o sofrimento, a má disposição e o desconforto. Estados de espírito opostos que se complementam um ao outro. Como se costuma dizer, “os opostos atraem-se”.  A partir da pesquisa ao Serviço de Reumatologia da ULS de Coimbra, com entrevistas a profissionais do serviço e a pacientes com doenças reumáticas e músculo-esqueléticas, a equipa da Marionet criou este espetáculo com o intuito de informar e aproximar empaticamente o público sobre estes estados de doenças que, visivelmente custa-nos encontrar alguma deformidade, mas, para quem as sofre, a procura do tal “estado de felicidade”, independentemente da circu...

“Respirar Paredes”, pela Cooperativa Bonifrates e Quarteto de Coimbra.

Em celebração do centenário de Carlos Paredes, uma figura incontornável da música portuguesa e um dos grandes mestres da  guitarra portuguesa, recordamo-lo através do magnífico repertório musical que nos deixou, para além de convicções estéticas em relação à música em Portugal e convicções políticas numa época regida pela censura do pensamento.  O espetáculo “Respirar Paredes”, como o próprio título sugere, permite viajar pela vida deste gigantesco músico que, por muitos é adorado e por outros desconhecido, que com esta experiência passam a conhecê-lo e adorá-lo.  Este recital performático teve como responsáveis pela coordenação, João Paulo Janicas (guião e estrutura dramatúrgica) e Simão Mota (estrutura musical).  Confesso que apenas conhecia superficialmente o nome e a obra de Carlos Paredes, mas este espetáculo permitiu ampliar o meu leque de conhecimento em relação a esta personalidade.  A componente dramatúrgica centrou-se na recolha de depoimentos, poemas ...

“Central do Brasil”, de Walter Salles.

Após a consagração de “Melhor Filme Estrangeiro”, nos ‘Oscars 2025’, com “Ainda Estou Aqui”, Walter Salles reforça o seu posto como um dos grandes cineastas brasileiros e contemporâneos.  Revisitando a história, mais precisamente a 1998, estreava nos cinemas, “Central do Brasil”, filme que viria a ser nomeado e vencedor de inúmeros prémios internacionais, entre eles o ‘Urso de Ouro’ do 'Festival de Berlim' de “Melhor Filme” e o ‘Urso de Prata’ para a “Melhor Atriz”, a Fernanda Montenegro.  Dora (Fernanda Montenegro), ex-professora que ganha a vida a escrever cartas a pessoas analfabetos numa estação de comboios, entrelaça o seu destino com o de Josué (Vinícius de Oliveira), criança de nove anos, filho de uma cliente que teve o triste fado de morrer num acidente diante o seu filho. Sozinho e perdido no Rio de Janeiro, Josué acaba por embarcar numa longa e difícil jornada ao Nordeste brasileiro, com a ajuda de Dora, para encontrar o seu único laço familiar vivo, o pai que nunca ...