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Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2025

“Bora Lá Laborar!”, por Teatro do Ferro.

O TRABALHO é um pilar estrutural na vida das pessoas. Desde pequenas, na escola, são habituadas a este tópico e até ao fim das suas vidas conviveram com tal. A ação para a criação ou obtenção de algo pretendido, que pode surgir por estímulo próprio, ou, na maioria dos casos, por conta de outrem. A certo ponto, o TRABALHO incorpora-se tanto em nós, que lhe damos prioridade para tudo, inclusive no ato de VIVER.  Para combater tal problema e, principalmente, para suprimir o desejo de massificação da produção, as máquinas começaram a substituir as pessoas nas realizações de tarefas. Mais produtivas, menos horas de descanso, menos reclamações, etc. - uma panóplia de vantagens que levam à redução de custos.  PROBLEMA! Sem trabalho, as pessoas não ganham dinheiro. Como podem as pessoas viver e aproveitar a vida sem dinheiro, num mundo que se rege pelo dinheiro?  Neste projeto, Igor Gandra esteve como responsável pela conceção do texto, da encenação e da cenografia, com assistênc...

“Anora”, de Sean Baker.

Todas as crianças têm o sonho de, um dia, experienciar as vidas encantadas das suas princesas e heróis favoritos. Quando crescem, esse desejo nunca se apaga, apesar do confronto com a realidade.  Ani (Mikey Madison), jovem trabalhadora do sexo, tem a sorte de encontrar o seu “príncipe encantado”, Ivan (Mark Eydelshteyn), filho de um oligarca russo - tipicamente apelidado de “filhinho do papá” - que a transforma numa “Cinderela da Nova Geração”. Um casamento inusitado, atribulado por drogas, festas e muito sexo, que ao chegar aos ouvidos dos pais de Ivan, procuram reverter o matrimónio no menor tempo possível, com auxílio dos seus funcionários.  Este projeto teve como responsável pela realização e a criação do roteiro, o cineasta americano, Sean Baker. Confesso que nos primeiros minutos do filme, por momentos,  acreditei que havia sido enganado e que me deparava com um “filme pornográfico disfarçado”, contudo, a obra de Sean Baker, vai muito além de meras cenas sexuais. A ...

“A Matança do Porco do Pai”, por Ritual de Domingo.

A matança do porco é uma tradição antiga, que, como o próprio nome indica, tem como base o sacrifício de um suíno, para que a sua carne sirva de sustento alimentar durante o ano que se segue à família que o criou. Uma ação comum, principalmente nas zonas rurais, que, com o passar do tempo, tem caindo em desuso - em casas mais tradicionais ainda se pratica. Um ritual familiar que se herda de pais para filhos. Um ato violento que se junta a um vasto leque de outros rituais familiares com o mesmo preceito.  Esta peça da Ritual de Domingo, faz analogia entre o porco e o humano, a partir da história de uma família assombrada por uma figura opressora - o pai - que no seu desenrolar, expõe as relações de poder e submissão no núcleo familiar, os choques geracionais e a fonte da violência humana, presentes em todos nós - uns mais flagrantes, outros menos.  Esta obra teve como responsável pela sua criação textual e cénica, Sónia Barbosa.  Como já esperando, um espetáculo violento, ...

“Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles.

Tive o prazer de poder voltar à sala de espetáculos do Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), não para assistir a uma peça de teatro, mas sim para ver um filme. Não é a primeira vez que o faço neste espaço, tendo-o experienciado com os filmes “Os Fabelmas”, de Steven Spielberg e “A Baleia”, de Darren Aronofsky - ou seja, filmaços!  Seguindo a tradição de grandes obras cinematográficas, existiu a possibilidade de assistir um dos filmes mais “badalados” e comentados nos últimos tempos. A produção do realizador brasileiro, Walter Salles, “Ainda Estou Aqui”, conta a história da reinvenção, superação e luta de Eunice Paiva, esposa de Rubens Paiva, ex-político do partido trabalhista, após estes serem alvos do olhar impiedoso do regime ditatorial militar brasileiro. Mãe de cinco filhos, vê-se obrigada a assumir as rédeas da família após a sua vida lhes desafiar com uma volta de 180 graus.  Um filme duro e emotivo, que nos coloca na realidade de medo e suspeita constante de um regime au...

“À Espera d‘Eles”, por Francisco Lobo Faria.

Os três pilares fundamentais na composição de uma Sociedade: PROSPERIDADE, ABUNDÂNCIA e GENEROSIDADE. A triangulação perfeita. Caso um destes três pontos deixe de funcionar na sua plenitude, o CAOS instala-se. A ÁRVORE DA VIDA, gerada a partir da semente da ESPERANÇA, nasce e desenvolve-se seca. Quem é o culpado de tal acontecer? A semente que está contaminada, ou de quem teve a responsabilidade de a cuidar?  Um espetáculo com forte inspiração na obra clássica de Samuel Beckett, “À Espera de Godot”, retrata o absurdo estado de questionamento de dois jovens, enclausurados e vigiados num experimento, que procuram compreender o estado em que vivem e sobre que diretrizes.  Este projeto teve como responsável pela dramaturgia e encenação, Francisco Lobo Faria.  Um trabalho que se sustenta nos campos da Poesia e da Filosofia, com questões bastante interessantes sobre o contexto social em que estamos inseridos e a reflexão da influência do OUTRO nas nossas escolhas, que, pessoalm...

“CAMÕES - AS ARMAS E OS BARÕES ASSINALADOS”, por ATEF - Companhia de Teatro.

Luís Vaz de Camões, um dos nomes mais célebres da literatura portuguesa, que, através da sua grande obra, “Os Lusíadas”, o seu mérito é reconhecido e recordado até aos dias de hoje, não só em território nacional.  Espetáculo que acompanha as celebrações do seu 500ª aniversário de nascimento, a ATEF - Companhia de Teatro (Teatro Experimental do Funchal)  homenageia este grande nome da história de Portugal, através de um texto de um outro nome sonante da literatura portuguesa, José Saramago. A obra “Que farei com este livro?”, conta-nos a história do árduo processo de publicação daquele que viria a ser o “grande símbolo” da literatura portuguesa. O desinteresse da coroa, os problemas económicos de Camões e a censura pela Santa Inquisição, são alguns dos fatores apresentados.  Como referido anteriormente, o texto base é de autoria de José Saramago, mas este passou pela adaptação e encenação de António Plácido.  Um espetáculo que se sustenta pelas componentes textual e h...