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Mensagens

"Colonia e Vilões", por Leonel Brito. COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

  Colonia e Vilões (1977)                     Colonia e Vilões é um documentário realizado pelo Leonel Brito na região da Ilha da Madeira. O próprio título já expõe o seu tema principal, sendo ele o contrato de colonia que, já muito afetava a população rural madeirense. As suas origens remontam desde à época medieval e durou até o ano de 1977. O documentário expõe a dura realidade que se vivia na época e dando voz à população local denunciando a tremenda desigualdade que se vivia.           Outro aspeto importante a referir é a forma como foi recebido na própria ilha. De todas as pessoas que este documentário deveria ter alcançado, as mais importantes seriam os próprios madeirenses. Ao que infelizmente foi recebido com barreiras, sendo esse resultado de anos de turbulência que surgiu após a Revolução dos Cravos. “Exactamente por causa dest...
Mensagens recentes

“«A Enferma e o Ladrão», de Diniz Cayolla Ribeiro”, por Associação Cenas&Limitadas.

A obra de Diniz Cayolla Ribeiro apresenta-nos a história de uma mulher que, por infortúnio do destino, acaba por ficar tetraplégica após o parto. Depois de 30 anos em estado vegetativo, as sensações de inutilidade, raiva interior e enfado com o seu estado, ganham força no seu íntimo, acabando por descontar tal frustração na sua filha, agora, sua cuidadora, que se vê confrontada com as acusações pelo estado em que a sua mãe se encontra e a obrigação de cuidar da mesma. A tensão entre ambas ganha ainda mais dimensão pela incapacidade de a filha realizar o pedido da enferma de acabar com a sua vida.  Numa noite a casa é assaltada e a mãe, sozinha, acaba por se deparar sem possibilidade de defesa contra o ladrão. Aqui, o “óbvio” prega-nos uma partida e o crime acaba por se transformar num encontro inesperado. Entre jogos de manipulação, negociações e debates morais, a questão de quem sai beneficiado com toda aquela discussão mantem-se em suspenso.  Como já referido, a dramaturgia ...

“O Meu Super-Herói”, por Loup Solitaire.

Com a premissa de revisitar a viagem que seu pai havia feito nos anos 70, quando emigrou para França, Elmano Sancho, autor e intérprete da obra, procurou descobrir peças perdidas nesse processo de deslocação da terra em que se nasce, para uma outra onde se almeja a prosperidade. O arrancar das raízes na esperança de as replantar em solos mais férteis, num processo de adaptação complexo.  Elmano passou de uma concretização individual do projeto, a partilhá-lo com Shahd Wadi, depois de a escutar, por acaso, numa entrevista em que comentava o seu sonho de regressar à Palestina, sua terra de origem. Dois pontos de partida distintos, que se cruzam com a vontade de “se encontrarem”.  Como já referido, Elmano Sancho foi o responsável pela dramaturgia e encenação da peça, ao mesmo tempo que partilha a interpretação com Shahd Wadi. A assistência de encenação ficou a cargo de Paulo Lage.  Admito que a temática abordada é interessante e as duas perspetivas, apesar de distintas, segu...

“Crendices - Quando o Medo Vem das Crenças”, por 4 Litro (Realização: Roberto Assis) | COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

Aqui encontramos uma obra diferente daquilo a que o grupo 4 Litro habitualmente nos habituou. A sua origem está nas crenças populares madeirenses, das quais muitos já devem ter ouvido falar: a "Feiticeira". O argumento foi escrito pelo próprio grupo, enquanto a realização foi tanto dos 4 Litro como de Roberto Assis.  Algo que é importante realçar e que fizeram questão de mencionar na divulgação do filme é o facto de se tratar de uma obra genuinamente madeirense. Ao contrário do que acontece noutros países, Portugal não tem uma indústria cinematográfica propriamente dita e são poucos os projetos que chegam a ver a luz do dia. Esta situação é ainda mais grave nas ilhas, tanto na Madeira como nos Açores. Acho importante a realização de trabalhos autónomos por parte dos próprios artistas que nasceram e vivem lá. Independentemente da opinião individual de cada espectador ao assistir ao filme, é necessário louvar o mérito e o trabalho de todos aqueles que transformaram Crendices de...

“INSULANAS” UM FILME TRI-PARTIDO, por André Moniz, Carolina Caldeira e Óscar Silva. | COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

Esta produção cinematográfica tem como tema central uma vivência que se designa pelo adjetivo "insular". A sua origem remonta ao latim "insularis", que se refere a quem vive numa ilha ou a quem lhe pertence.  Como o próprio título sugere, esta produção é um "Omnibus Film", ou seja, uma longa-metragem composta por três curtas-metragens individuais. Cada uma tem a sua própria narrativa, mas todas têm um tema em comum. O que significa o adjetivo "insular" para quem realmente o viveu?  A proposta partiu da APCA (Agência de Promoção da Cultura Atlântica), que desafiou estes jovens realizadores a escreverem sobre este tema, que, quer se apercebam, quer não, falam de si próprios, voluntária ou involuntariamente. A equipa é constituída pelas produtoras Inês Tecedeiro e Mariça da Silva.  (Acho importante frisar que a visualização deste filme e a eventual escrita deste comentário ocorreram após assistir a uma sessão antes do corte final do filme.)  A prime...

“Suplicantes”, por Cassandra.

Uma vez mais, textos concebidos na Grécia Antiga ganham empatia e leitura no contexto social e político atual. Temas intemporais que reforçam a ideia de “círculo vicioso” das problemáticas da nossa Sociedade.  A estrutura artística Cassandra, sob coordenação de Sara Barros Leitão, aproxima a realidade das mulheres da obra de Ésquilo, que fugiram à procura de asilo, do Egito para a Grécia, com a dos atuais imigrantes que atravessam o Mar Mediterrâneo à procura de condições melhores nos países europeus. Viagens repletas de intempéries que, à sua chegada, enfrentam o choque direto com as barreiras ideológicas e culturais, estipulando assim uma comunicação dependente de tradução. Segundo a própria estrutura, o espetáculo procura e passo a citar: “uma reflexão sobre o próprio projeto Europeu, sobre fronteiras, sobre pactos de hospitalidade, acolhimento e integração.”.  Com referido anteriormente, Sara Barros Leitão é a responsável pela dramaturgia e encenação, com assistência de en...

“BELA E O MONSTRO para sempre ou talvez não…”, por ATEF – Companhia de Teatro.

Nesta produção, o “miolo” da afamada história “A Bela e o Monstro”, é reinterpretada e contextualizada num cenário contemporâneo – numa biblioteca escolar – onde os livros e as estantes são testemunhas das relações humanas e de todas as suas oscilações.  A inserção de um elemento diferente num meio já existente gera reações e sensações diversas. Um “Mostro” a quem lhe basta uma “Bela”, ou mais que uma, que lhe faça despertar o seu real potencial e a sua verdadeira "beleza".  Ricardo Brito, foi o responsável pela dramaturgia e encenação deste projeto.  Para quem está habituado à linha de peças infantis que a ATEF – Companhia de Teatro nos tem presenteado ao longo dos anos, esta, foge da norma. Com menos momentos musicados e dançados, enfatiza o trabalho da mensagem e da relação entre personagens – o que NADA INFERIORIZA a produções passadas. Apenas reparo que com a diminuição desses momentos, o público infantil mais rapidamente perde o foco do espetáculo.  Uma criação...