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“Ondas de Emoção”, por Teatro Pitabel (AO).

A companhia angolana Teatro Pitabel, apresenta-nos um monólogo em que as temáticas do abuso infantil e a opressão perante a mulher são exibidas a cru. Um relato a partir de factos verídicos que pretende “chocar” o espetador e alertar para estas problemáticas que ainda são, infelizmente, vigentes na sociedade em que vivemos. 

Esta peça foi apresentada em contexto da programação do ‘Festival Avesso 2025’, com produção da Associação Avesso. 

A criação desta obra contou com o texto de Victor Bango Lino Suama, encenação de Carla Esmeralda, iluminação e assistência de Adérito Rodrigues e interpretação de Débora Makiese. 

O objetivo dos artistas com esta proposta era de “chocar” o público pela intensidade e profundidade da mensagem, contudo, acredito que a parte do “chocar”, funcionou, mas o restante, ficou aquém do expectado. Falhas estruturais que passo a enumerar e a justificar perante a minha opinião. 

O espetáculo inicia de uma forma cativante. Um jogo de máscara inusitado e apelativo pela criação de contraste, no entanto, perde-se o efeito pelo longo período de utilização, acoplado à invariável proposta de jogo. 

Numa fase posterior, as propostas gráficas daquilo que seria a representação da violação e do abuso para com o corpo alheio, perderam a força e intenção, pela forma da execução. Por vezes, a opção da exemplificação do assunto que estamos a retratar, leva a uma descontextualização e perda de credibilidade do tema a ser abordado. Neste caso, o extremo foi ultrapassado de tal forma, que se transformou algo, de certo modo, “cómico”. 

Propostas de transição entre cenas lentas e de pouco gabarito e as escolhas musicais não foram as mais adequadas. 

Em suma, foi um espetáculo que me inquietou, mas não pelos melhores motivos.

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