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“O Meu Super-Herói”, por Loup Solitaire.

Com a premissa de revisitar a viagem que seu pai havia feito nos anos 70, quando emigrou para França, Elmano Sancho, autor e intérprete da obra, procurou descobrir peças perdidas nesse processo de deslocação da terra em que se nasce, para uma outra onde se almeja a prosperidade. O arrancar das raízes na esperança de as replantar em solos mais férteis, num processo de adaptação complexo. 

Elmano passou de uma concretização individual do projeto, a partilhá-lo com Shahd Wadi, depois de a escutar, por acaso, numa entrevista em que comentava o seu sonho de regressar à Palestina, sua terra de origem. Dois pontos de partida distintos, que se cruzam com a vontade de “se encontrarem”. 

Como já referido, Elmano Sancho foi o responsável pela dramaturgia e encenação da peça, ao mesmo tempo que partilha a interpretação com Shahd Wadi. A assistência de encenação ficou a cargo de Paulo Lage. 

Admito que a temática abordada é interessante e as duas perspetivas, apesar de distintas, seguem em harmonia. No entanto, confesso que fiquei entediado com as opções cénicas. Longos discursos monocórdicos, pouca movimentação, um ambiente escurecido e uma certa dificuldade em compreender os áudios da projeção, foram alguns dos tópicos que me levaram a desconectar com a obra. 

Quero destacar um efeito de transição que funcionou muito bem, que foi o da entrada de Shahd Wadi em cena após o flash da câmara fotográfica de Elmano Sancho. Um pequeno momento da peça que ganha destaque pela sua eficácia – é de destacar o papel Pedro Nabais na sua elaboração.

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