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”«IRENE», de Djaimilia Pereira de Almeida”, por Classes de Teatro do Teatrão.

Até que ponto uma mãe, ou um pai, arrisca-se por um filho? Qual é o limite dessa relação? (Se esse limite existir, claro.) São perguntas das quais, pessoalmente, ainda não consigo formular uma resposta genuína, pois, até à data, não passei pela experiência de ser pai. Contudo, pergunto-me até que ponto somos capazes de arriscar a nossa integridade física ou psicológica, por um filho.

Então, e se, esse mesmo filho, tenha desaparecido pouco tempo após ter nascido? A entrega dos pais pela procura desse “fruto” tem a mesma força? Pessoalmente, considero que cada caso é um caso. Djaimilia Pereira de Almeida apresenta-nos, nesta peça, Irene, uma mulher que lhe vê ser tirada dos braços, após o nascimento, a sua criança, partindo em aventura de Luanda, sua terra, para Lisboa. Na capital portuguesa, confronta-se, incessantemente, com a procura de um filho apenas pelo instinto, pois não sabe a sua feição, além das consequências da sua decisão de mudança de vida repentina e radical.

Inserido no projeto do Teatro Nacional D. Maria II, PANOS – Palcos Novos Palavras Novas, a Classe de Teatro do Teatrão, sobe coordenação de João Santos, apresenta-nos uma perspetiva cénica bastante interessante e surpreendentemente dinâmica, apesar da densidade que o próprio texto, à priori, entrega.

Não considero um ponto negativo, mas, como existia tanta informação em cena (movimentações, texto, cenário, adereços, luzes, sons, etc…), facilmente perdia a atenção e era-me difícil acompanhar completamente a compreensão das ideias. É daquelas apresentações que não basta assistir uma só vez.

(Primeira publicação a 22 de abril de 2023, em https://www.facebook.com/itsjoaojosesilva/)

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