Avançar para o conteúdo principal

“Manuela Rey Is In The House”, por Teatro do Noroeste / Centro Dramático de Viana.

Manuela Rey, uma galega da zona norte, mais precisamente de  Mondoñedo, que por reviravoltas da vida, acaba por emigrar para Portugal. Aí, torna-se atriz e com 15 anos estreia-se no palco do Teatro Nacional D. Maria II, vindo a pertencer à companhia residente do mesmo. Para além da sua função como atriz, Manuela também escrevia textos dramáticos. Infelizmente, a sua carreira artística foi interrompida pelo seu falecimento, aos 23 anos. 

Segundo os próprios criadores, esta produção tem como intensão e passo a citar, “Uma espécie de regresso triunfal de Manuela Rey aos palcos”. 

Para além do Teatro do Noroeste / Centro Dramático de Viana, a criação deste espetáculo contou com a coprodução do Centro Dramático Galego, do Teatro Nacional São João e o Teatro Nacional D. Maria II. A responsabilidade pela dramaturgia e encenação, ficou a cabo de Fran Núñez, diretor do CDG. 

Tive o privilégio de poder assistir esta peça na cidade de Santiago de Compostela, na Galiza, Espanha. 

Um trabalho do qual gostei muito. Destaco a composição musical fantástica, que teve como responsável Xosé Lois Romero, a construção das movimentações de cena, tanto dos intérpretes, como das possibilidades de montagem e desmontagem do cenário e a representação nas duas línguas (português e galego). Um estudo antropológico que foi transformado num espetáculo impactante (sublinho a componente visual). 

Considero que poderia melhorar na questão do volume dos efeitos sonoros. Recordo-me de dois momentos em que o som produzido era superior à voz dos intérpretes, ao que levava à não compreensão daquilo que era dito. 

Pessoalmente, estranhei a opção dos intérpretes de criarem “bonecos” para contar a história. Passo a explicar, tecnicamente eram bons, tanto vocal, como corporalmente, contudo, senti falta de uma naturalidade na interpretação. 

Acentuo e louvo esta iniciativa de coprodução entre Portugal e Galiza. As semelhanças culturais entre ambas as regiões são muito fortes e considero que, tal como este projeto, deveriam de existir mais atividades de parceria.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

“INSULANAS” UM FILME TRI-PARTIDO, por André Moniz, Carolina Caldeira e Óscar Silva. | COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

Esta produção cinematográfica tem como tema central uma vivência que se designa pelo adjetivo "insular". A sua origem remonta ao latim "insularis", que se refere a quem vive numa ilha ou a quem lhe pertence.  Como o próprio título sugere, esta produção é um "Omnibus Film", ou seja, uma longa-metragem composta por três curtas-metragens individuais. Cada uma tem a sua própria narrativa, mas todas têm um tema em comum. O que significa o adjetivo "insular" para quem realmente o viveu?  A proposta partiu da APCA (Agência de Promoção da Cultura Atlântica), que desafiou estes jovens realizadores a escreverem sobre este tema, que, quer se apercebam, quer não, falam de si próprios, voluntária ou involuntariamente. A equipa é constituída pelas produtoras Inês Tecedeiro e Mariça da Silva.  (Acho importante frisar que a visualização deste filme e a eventual escrita deste comentário ocorreram após assistir a uma sessão antes do corte final do filme.)  A prime...

“Crendices - Quando o Medo Vem das Crenças”, por 4 Litro (Realização: Roberto Assis) | COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

Aqui encontramos uma obra diferente daquilo a que o grupo 4 Litro habitualmente nos habituou. A sua origem está nas crenças populares madeirenses, das quais muitos já devem ter ouvido falar: a "Feiticeira". O argumento foi escrito pelo próprio grupo, enquanto a realização foi tanto dos 4 Litro como de Roberto Assis.  Algo que é importante realçar e que fizeram questão de mencionar na divulgação do filme é o facto de se tratar de uma obra genuinamente madeirense. Ao contrário do que acontece noutros países, Portugal não tem uma indústria cinematográfica propriamente dita e são poucos os projetos que chegam a ver a luz do dia. Esta situação é ainda mais grave nas ilhas, tanto na Madeira como nos Açores. Acho importante a realização de trabalhos autónomos por parte dos próprios artistas que nasceram e vivem lá. Independentemente da opinião individual de cada espectador ao assistir ao filme, é necessário louvar o mérito e o trabalho de todos aqueles que transformaram Crendices de...

“O Meu Super-Herói”, por Loup Solitaire.

Com a premissa de revisitar a viagem que seu pai havia feito nos anos 70, quando emigrou para França, Elmano Sancho, autor e intérprete da obra, procurou descobrir peças perdidas nesse processo de deslocação da terra em que se nasce, para uma outra onde se almeja a prosperidade. O arrancar das raízes na esperança de as replantar em solos mais férteis, num processo de adaptação complexo.  Elmano passou de uma concretização individual do projeto, a partilhá-lo com Shahd Wadi, depois de a escutar, por acaso, numa entrevista em que comentava o seu sonho de regressar à Palestina, sua terra de origem. Dois pontos de partida distintos, que se cruzam com a vontade de “se encontrarem”.  Como já referido, Elmano Sancho foi o responsável pela dramaturgia e encenação da peça, ao mesmo tempo que partilha a interpretação com Shahd Wadi. A assistência de encenação ficou a cargo de Paulo Lage.  Admito que a temática abordada é interessante e as duas perspetivas, apesar de distintas, segu...