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“«A História da Imperatriz Porcina», de Baltazar Dias”, pelas alunas/os do 1º ano da ACE Escola de Artes.

O estudo dos clássicos é algo indispensável para o processo de formação, seja lá qual for a área. No Teatro, compreender como eram escritas e apresentadas as obras, é fundamental para ter uma consciência de como a arte evoluiu ao longo dos séculos, além de passarmos a conhecer os nomes e o trabalho dos grandes precursores teatrais. Um outro ponto é a dificuldade linguística e física que as personagens desses textos exigem. Ótimos exercícios para treinamento de atores/atrizes. 

Baltazar Dias, poeta e dramaturgo madeirense – conhecido por ter sido um artista cego – é um dos grandes nomes da literatura dramática regional e nacional. Autor de várias obras – desde caráter religioso a cómico – algumas delas são imortalizadas a nível internacional, como “A Tragédia do Marquês de Mântua”, em São Tomé e Príncipe, ao que originou o conhecido Tchiloli e “A História da Imperatriz Porcina”, no Brasil – obra trabalhada por este grupo. Sob direção artística de Sara Barros Leitão, o grupo procurou representar o texto original, através de adaptações cénicas contemporâneas. Um trabalho grupal interessante. 

Tendo conhecimento do contexto que levou à elaboração do projeto, surgem-me duas reflexões que quero partilhar e, passo a frisar, não têm a ver diretamente com o que foi apresentado. A primeira, é o reforçar da importância de uma adaptação dos textos clássicos para uma linguagem atual – com destaque para a questão linguística. Se o público não compreender o que está a ser dito, cria-se uma grande barreira na transmissão da mensagem da obra, na minha visão, algo fundamental. O segundo ponto foi a consciencialização do número extremamente reduzido de artistas madeirenses – claramente, incluo-me neste ponto – que trabalham a partir de obras clássicas de outras artistas conterrâneos. Grandes textos que caem no esquecimento e que muitas vezes são os de foram que os revivem. 

Atenção! Este é um problema global, não regional. Genuinamente acredito que é algo que pode ser mudado. É para isso que trabalhamos, não é verdade?

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