Um compilado de pensamentos, desejos e sonhos, é assim que caraterizo a peça “Soñar al borde del precipício”, de Julio Fernández. Numa construção textual bastante crítica do mundo em que está inserido, debate sobre temas que não só o colocam na borda de um precipício, como também a quem o escuta.
Esta obra foi escrita, encenada e interpretada pelo próprio.
Quanto aos textos, gostei do método narrativo que utilizou para construí-los, já a apresentação, confesso que fiquei desiludido. A nível de cenário existiam elementos que tenho as minhas dúvidas quanto à pertinência da utilização dos mesmos e a interpretação achei muito franco. Falta de tonalidade vocal e de presença levaram a uma desconexão constante daquilo que estava a ser apresentado, algo grave, a meu ver, tendo em conta que se tratava de um espetáculo que acentuava a escuta das palavras.
Destaco um gesto que me deixou reflexivo. Ao comprar o bilhete do espetáculo, era oferecido um exemplar do livro que descrevia por completo a peça que iríamos assistir. Por um lado, gostei da ideia, pois, para além de ser um item de recordação, permite que o espetador possa rever textos que gostou bastante ou não compreendeu, ao seu ritmo pessoal. Por outro lado, questiono-me: afinal, vim assistir a uma encenação, ou a um lançamento do livro?
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