A bienal “Todos São Palco”, é projeto com produção do Teatrão, coprodução com várias outras entidades culturais da zona centro e norte do país e a curadoria de Jorge Louraço Figueira, que visa apresentar obras teatrais desenvolvidas no Brasil, com o intuito de promover a partilha de conteúdos e cultura entre os dois países.
Para inaugurar a mesma, foi apresentada aquela que é considerada uma das obras mais importantes do maior nome do teatro brasileiro, Augusto Boal. "Revolução na América do Sul", conta-nos a história de José da Silva, trabalhador fabril com graves dificuldades económicas, que no seu percursos para conseguir solucionar a sua situação, é confrontado de forma ironizada e "cartoonizada" com os problemas estruturais políticos e sociais presentes no Brasil. Problemas que, numa certa parte, são transversais com os de Portugal.
O responsável pela encenação desta obra foi Wellington Fagner.
Como dizia o “pai do teatro português”, “ridendo castigat mores” (rindo castiga os costumes). Utilizar a comédia e a estereotipização como método educacional é algo de génio. Algo que já se poderia esperar do mestre Augusto Boal. Uma espetáculo bastante dinâmico, crítico, com um trabalho interpretativo excecional, uma composição musical muito boa, que culminaram num resultado que só poderia dar, como deu, numa reação satisfatória na grande maioria do público (digo "grande maioria", porque não sei o pensamento de todos os que lá estavam). Pessoalmente, acredito que foi uma apresentação memorável e transformadora.
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