Já fazem alguns meses desde que me despedi da Galiza e da sua gente. As saudades já começam a apertar. Para apaziguar este sentimento, tive o privilégio de poder assistir à obra conceituada da dramaturga, também conceituada, AveLina Pérez.
No tempo em que vivi naquelas terras, esta peça era muito mencionada, comentada e relembrada, contudo, por um nome diferente: “Às oito da tarde cando morrem as nais” - pronto, não é assim tão diferente... é apenas a hora…, mas já é uma diferença!
Logo no primeiro contacto com o título, associamo-la a temas densos, pesados, no entanto, a verdadeira premissa desta obra, é a libertação e a escuta das necessidades do público para com as obras que assiste e os artistas.
O que fazem ali? Porque foram até lá? Necessitam de algo? O que é que necessitam? Cederam de algo para estarem naquelas cadeiras? As mães? Ficaram com quem? São estas e inúmeras outras perguntas que se desenvolvem ao longo do espetáculo.
Como referi anteriormente, esta obra é de autoria da dramaturga AveLina Pérez, que teve como responsável pela tradução e encenação, Sofia Lobo.
Admito que saí bastante satisfeito com o que foi apresentado. O texto é fantástico, a interpretação surpreendeu-me, além da quantidade de pessoas presentes em palco (por volta de 13 elementos - algo bastante anormal nos tempos que correm), que culminaram numa sessão que fez rir, pensar, confundir e voltar a pensar. Por outras palavras, algo bastante prazeroso.
Quero destacar a energia levada a cabo pelos intérpretes. Apesar de constituir um elenco na sua maioria, se não total, de “amantes de Teatro”, a forma como que foi apresentando, o amor expelido por aqueles corpos para com que a máquina andasse, foi algo muito surpreendente.
Outro pormenor, não sei se premeditado, ou então por consequência do grupo existente, a representação do PÚBLICO com intérpretes não inferiores a 40 anos e as ATRIZES entre os 18 e os 25 anos, que criou uma linguagem, a meu ver, bastante interessante.
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