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“«Esperando Godot», de Samuel Beckett”, por Teatro Oficina Uzyna Uzona (BR).

Nada mais, nada menos, do que uma das companhia mais antiga, ainda em funcionamento, no Brasil. Nada mais, nada menos, do que um dos textos mais aclamados da literatura teatral. Bem… a meu pensar, esta combinação só poderá originar algo de bom. Não? 

Este espetáculo foi o último a integrar a bienal ‘Todos São Palco’, com produção do Teatrão, coprodução com várias outras entidades culturais da zona centro e norte do país e a curadoria de Jorge Louraço Figueira. 

“À Espera de Godot”, (tradução pt-pt) é um texto que nos faz questionar sobre o porquê da nossa existência. O porquê da existência do VAZIO. Como é que lidamos com o espaço-tempo? E a memória, onde se encaixa nesta história? Por outras palavras, um avultado número de perguntas, que na sua maioria, não espera por uma resposta. Existem apenas por existir. Fora do comum, não? 

A peça teve como responsável pela encenação, Zé Celso - simplesmente, um dos maiores nomes do teatro brasileiro, que, infelizmente, faleceu no ano passado. Por esse motivo, Marcelo Drummond ficou como novo responsável pelo projeto. A tradução do texto esteve a cabo de Zé Celso, Catherine Hirsch e Verônica Tamaoki. 

É de destacar que este trabalho marca o retorno do ator Alexandre Borges ao Teatro Oficina, após quase trinta anos. 

Respondendo à pergunta que fiz logo no início, a resposta é: SIM! O trabalho estava muito bom! Apesar de não ser dos maiores fãs deste género de teatro, reconheço o alto nível de trabalho de construção de personagens. As suas corporalidades e vocalidades, simplesmente, fantásticas. Os intérpretes em questão, são: Marcelo Drummond, Alexandre Borges, Ricardo Bittencourt, Roderick Himeros e Tony Reis. Foram três horas em que estive completamente vidrado naquilo que estava a ser apresentado. 

O que mais me causou estranheza, foi a presença constante do técnico de câmara do vídeo em direto em cena. Com isto, não quero dizer que a sua presença era injustificada, pelo contrário! No espaço que foi apresentado (Convento de São Francisco, Coimbra), ajudava a criar uma maior proximidade entre o público e a ação. Apenas, comento este sentimento da existência de “algo a mais” em cena... a acompanhar os personagens. A verdade é que até ao momento em que escrevo, procuro maneira de descodificar esta sensação. Pelos vistos, terei de continuar a pensar sobre o assunto. 

O Teatro Oficina, desde o primeiro momento, propõe a ideia de destruição tanto do mundo fictício do texto, como o do real. É impressionante, como saí da obra com esse peso amarrado aos ombros. 

Em memória, deixo uma fotografia tirada após os agradecimentos, com o cenário e a imagem em homenagem ao Zé Celso.


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