Avançar para o conteúdo principal

“Quis Saber Quem Sou - Um concerto teatral”, por Pedro Penim.

Produção do Teatro Nacional D. Maria II, “Quis Saber Quem Sou”, não é um espetáculo de teatro musical, mas sim, ao que posso designar de, um “concerto que incorpora momentos teatralizados”. 

Este, foi um projeto que integrou as Comemorações dos 50 anos da Revolução do 25 de abril. O espetáculo conta com a recolha de canções, cantigas e palavras de ordem que remontam a essa época, essa mentalidade, essa energia! Na voz de jovens intérpretes, é apregoada a palavra intemporal, “LIBERDADE”! 

Este espetáculo contou com a conceção textual e encenação de Pedro Penim. 

A apresentação culminou em algo que acho incrível, que é a união de todo um público, de idades diversas, nas canções que marcaram um povo. Gostei bastante da lista musical, sob direção de Filipe Sambado, como também das interpretações das mesmas canções. Trabalho de direção vocal de João Neves. Cantares celestiais. 

Inicialmente, admito que não estava muito engajado naquilo que me estavam a querer transmitir. Numa fase posterior, comecei a ser agarrado, até que acabei a deliciar-me a cantar “Somos Livres” de Ermelinda Duarte. 

Destaco a idealização cenográfica de Joana Sousa. A incorporação de espelhos para aumentar a massa humana, acredito ser um pormenor muito interessante. 

Reconheço o trabalho fantástico do texto coral e compreendo o seu significado, mas, confesso que fiquei maçado dessa escuta monocórdica constante. Outro ponto que me pôs a questionar, foi o frequente apontar de dedos para o público e a inquietude dos intérpretes. Pessoalmente, não me senti desafiado a refletir sobre as questões apresentadas, mas sim, pensar: “mas quem és tu para me apontares o dedo dessa maneira?”.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

“INSULANAS” UM FILME TRI-PARTIDO, por André Moniz, Carolina Caldeira e Óscar Silva. | COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

Esta produção cinematográfica tem como tema central uma vivência que se designa pelo adjetivo "insular". A sua origem remonta ao latim "insularis", que se refere a quem vive numa ilha ou a quem lhe pertence.  Como o próprio título sugere, esta produção é um "Omnibus Film", ou seja, uma longa-metragem composta por três curtas-metragens individuais. Cada uma tem a sua própria narrativa, mas todas têm um tema em comum. O que significa o adjetivo "insular" para quem realmente o viveu?  A proposta partiu da APCA (Agência de Promoção da Cultura Atlântica), que desafiou estes jovens realizadores a escreverem sobre este tema, que, quer se apercebam, quer não, falam de si próprios, voluntária ou involuntariamente. A equipa é constituída pelas produtoras Inês Tecedeiro e Mariça da Silva.  (Acho importante frisar que a visualização deste filme e a eventual escrita deste comentário ocorreram após assistir a uma sessão antes do corte final do filme.)  A prime...

“Crendices - Quando o Medo Vem das Crenças”, por 4 Litro (Realização: Roberto Assis) | COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

Aqui encontramos uma obra diferente daquilo a que o grupo 4 Litro habitualmente nos habituou. A sua origem está nas crenças populares madeirenses, das quais muitos já devem ter ouvido falar: a "Feiticeira". O argumento foi escrito pelo próprio grupo, enquanto a realização foi tanto dos 4 Litro como de Roberto Assis.  Algo que é importante realçar e que fizeram questão de mencionar na divulgação do filme é o facto de se tratar de uma obra genuinamente madeirense. Ao contrário do que acontece noutros países, Portugal não tem uma indústria cinematográfica propriamente dita e são poucos os projetos que chegam a ver a luz do dia. Esta situação é ainda mais grave nas ilhas, tanto na Madeira como nos Açores. Acho importante a realização de trabalhos autónomos por parte dos próprios artistas que nasceram e vivem lá. Independentemente da opinião individual de cada espectador ao assistir ao filme, é necessário louvar o mérito e o trabalho de todos aqueles que transformaram Crendices de...

“O Meu Super-Herói”, por Loup Solitaire.

Com a premissa de revisitar a viagem que seu pai havia feito nos anos 70, quando emigrou para França, Elmano Sancho, autor e intérprete da obra, procurou descobrir peças perdidas nesse processo de deslocação da terra em que se nasce, para uma outra onde se almeja a prosperidade. O arrancar das raízes na esperança de as replantar em solos mais férteis, num processo de adaptação complexo.  Elmano passou de uma concretização individual do projeto, a partilhá-lo com Shahd Wadi, depois de a escutar, por acaso, numa entrevista em que comentava o seu sonho de regressar à Palestina, sua terra de origem. Dois pontos de partida distintos, que se cruzam com a vontade de “se encontrarem”.  Como já referido, Elmano Sancho foi o responsável pela dramaturgia e encenação da peça, ao mesmo tempo que partilha a interpretação com Shahd Wadi. A assistência de encenação ficou a cargo de Paulo Lage.  Admito que a temática abordada é interessante e as duas perspetivas, apesar de distintas, segu...