Os três pilares fundamentais na composição de uma Sociedade: PROSPERIDADE, ABUNDÂNCIA e GENEROSIDADE. A triangulação perfeita. Caso um destes três pontos deixe de funcionar na sua plenitude, o CAOS instala-se. A ÁRVORE DA VIDA, gerada a partir da semente da ESPERANÇA, nasce e desenvolve-se seca. Quem é o culpado de tal acontecer? A semente que está contaminada, ou de quem teve a responsabilidade de a cuidar?
Um espetáculo com forte inspiração na obra clássica de Samuel Beckett, “À Espera de Godot”, retrata o absurdo estado de questionamento de dois jovens, enclausurados e vigiados num experimento, que procuram compreender o estado em que vivem e sobre que diretrizes.
Este projeto teve como responsável pela dramaturgia e encenação, Francisco Lobo Faria.
Um trabalho que se sustenta nos campos da Poesia e da Filosofia, com questões bastante interessantes sobre o contexto social em que estamos inseridos e a reflexão da influência do OUTRO nas nossas escolhas, que, pessoalmente, acredito ser mais interessante na componente literária, que na vertente de espetáculo. Um texto denso que se perdia com as consecutivas adições de questões, parábolas, etc.
Destaco o trabalho de cenografia, de Diogo Góis, Jacinto Rodrigues e João Bernardo, com maior foco para a construção da árvore. Um elemento com uma presença e jogabilidade muitíssimo interessantes. Ao mesmo tempo, questiono o porquê de não ser mais prática a montagem da mesma? É intencional a demora na sua construção? Problemas estruturais? Qual o fundamento?
Ao longo da peça, gostei particularmente do trabalho físico dos intérpretes, em que estes “tropeçavam nos mesmos erros”, implementando assim uma perspetiva de ciclo vicioso.
Questiono a pertinência do momento de quebra da 4ª parede e a conversa com o público. Um momento em que os atores, consciencializados do que são e do que fazem, confrontam o público num estado de “pura realidade”, completamente desprotegidos de diretrizes prévias. O que realmente acontece, na minha opinião, é que não aproveitam aquele momento para desenvolver algo, o que leva a uma monotonia desinteressante.
Por fim, pergunto o porquê da existência dos figurantes. Para além de “encherem o palco”, qual a real função neste projeto?
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