A matança do porco é uma tradição antiga, que, como o próprio nome indica, tem como base o sacrifício de um suíno, para que a sua carne sirva de sustento alimentar durante o ano que se segue à família que o criou. Uma ação comum, principalmente nas zonas rurais, que, com o passar do tempo, tem caindo em desuso - em casas mais tradicionais ainda se pratica. Um ritual familiar que se herda de pais para filhos. Um ato violento que se junta a um vasto leque de outros rituais familiares com o mesmo preceito.
Esta peça da Ritual de Domingo, faz analogia entre o porco e o humano, a partir da história de uma família assombrada por uma figura opressora - o pai - que no seu desenrolar, expõe as relações de poder e submissão no núcleo familiar, os choques geracionais e a fonte da violência humana, presentes em todos nós - uns mais flagrantes, outros menos.
Esta obra teve como responsável pela sua criação textual e cénica, Sónia Barbosa.
Como já esperando, um espetáculo violento, com poucos filtros, que apresenta as várias faces da opressão, como a submissão sobre a hierarquia familiar, o assédio, a vingança, etc. Uma filosofia interessante - a meu ver - que se centra na consciencialização do consentimento na realização do ato violento.
“O maior porco, é aquele que sabe que é porco”.
Destaco os jogos teatrais a partir dos diferentes objetos e a execução do ritual de sacrifício. Um cenário interessante, de Ana Limpinho, com destaque para as várias fases de mutação da mesa do ritual. A música ambiente, de Ana Bento, leva o espetador a um local estranho, macabro e em constante foco.
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