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“Anora”, de Sean Baker.

Todas as crianças têm o sonho de, um dia, experienciar as vidas encantadas das suas princesas e heróis favoritos. Quando crescem, esse desejo nunca se apaga, apesar do confronto com a realidade. 

Ani (Mikey Madison), jovem trabalhadora do sexo, tem a sorte de encontrar o seu “príncipe encantado”, Ivan (Mark Eydelshteyn), filho de um oligarca russo - tipicamente apelidado de “filhinho do papá” - que a transforma numa “Cinderela da Nova Geração”. Um casamento inusitado, atribulado por drogas, festas e muito sexo, que ao chegar aos ouvidos dos pais de Ivan, procuram reverter o matrimónio no menor tempo possível, com auxílio dos seus funcionários. 

Este projeto teve como responsável pela realização e a criação do roteiro, o cineasta americano, Sean Baker.

Confesso que nos primeiros minutos do filme, por momentos,  acreditei que havia sido enganado e que me deparava com um “filme pornográfico disfarçado”, contudo, a obra de Sean Baker, vai muito além de meras cenas sexuais. A densidade das personagens e as suas inúmeras camadas, um guião denso, crítico, cómico e fidedigno a reações e tempos reais, interpretações cativantes, diálogos que curiosamente mesclavam o inglês, o russo e o armênio e jogos teatrais muito interessantes, com destaque para o confronto entre Ani e os funcionários da família Zakharov (Toros (Karren Karagulian), Garnik (Vache Tovmasyan) e Igor (Yura Borisov)). Apesar de não ter um enredo muito complexo, não peca no estereótipo de relações básicas e com resoluções de conflitos rápidas, o que cria uma constante incógnita no passo seguinte. 

Filme vencedor da ‘Palma de Ouro 2024’, no consagrado ‘Festival de Cannes’ e indicado a vários outros prémios internacionais, com destaque para a vitória de Mikey Madison como “Melhor Atriz Principal”, nos ‘Prémios BAFTA’ - muito merecido pelo seu ótimo desempenho.

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