O conceito de FELICIDADE, segundo a sua descrição no dicionário, é o “estado da pessoa feliz”, ou seja, a sensação positiva, alegre e de satisfação de um indivíduo. Para alcançar tal objetivo, a pessoa deve percorrer um caminho individual de encontro ao seu “estado de felicidade” - cada um sabe do seu. Em contraste, existe a DOR, uma sensação física ou psicológica que proporciona o sofrimento, a má disposição e o desconforto. Estados de espírito opostos que se complementam um ao outro. Como se costuma dizer, “os opostos atraem-se”.
A partir da pesquisa ao Serviço de Reumatologia da ULS de Coimbra, com entrevistas a profissionais do serviço e a pacientes com doenças reumáticas e músculo-esqueléticas, a equipa da Marionet criou este espetáculo com o intuito de informar e aproximar empaticamente o público sobre estes estados de doenças que, visivelmente custa-nos encontrar alguma deformidade, mas, para quem as sofre, a procura do tal “estado de felicidade”, independentemente da circunstância em que se encontram, é algo fundamental.
O projeto teve como responsável pela encenação, Mário Montenegro. A componente dramatúrgica contou com a colaboração de vários elementos da equipa, como Beatriz Boleto, Carolina Costa Andrade, Inês Dias, Maria José Pessoa e o próprio Mário Montenegro, além da restante equipa da Marionet que teve um papel fundamental na discussão dessas mesmas ideias.
Um espetáculo com uma componente informativa bastante interessante. Não foi o que mais empatizei, mas gostei. Confesso que pouco, ou nada, conhecia sobre o tema das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas e passei a ter algum conhecimento em relação a tais estados. Quanto à duração, não achei longo. As dinâmicas e jogos de cena ajudaram a suavizar a absorção da informação pelo público.
Destaco os trabalhos de vídeo (Laetitia Morais) e música e sonoplastia (Marcelo dos Reis), como auxiliares interessantes na construção da viagem proposta. Um outro ponto que gostava de partilhar é a minha percepção de uma nova imagem de marca da Marionet como a partilha com o público de fatias de bolo no final de cada apresentação - elemento que já existiu na peça “iMaculada” (não sei se noutros mais).
Como sugestão, visto que contactaram com pessoas especialistas da área e outros que convivem diariamente com tais sintomas, seria interessante, após uma das sessões, existir uma pequena tertúlia, com pessoas convidadas, que viessem a explicar mais detalhadamente o tema e relacioná-lo com os exemplos da peça e não só. Esta ideia surge de uma experiencia já vivenciada numa proposta semelhante com a companhia Mente de Cão, após a apresentação do espetáculo "Todas as Coisas Extraordinárias".
Aproveito para partilhar o meu desagrado com a falta de respeito do público em relação à utilização de equipamentos eletrónicos no meio das apresentações. Luzes e sons que incomodam quem está em performance e quem assiste, como elementos distratores. Uma consciência cívica, que na minha opinião, deve ser mais reforçada. Como é percetível, infelizmente, tive de cumprir o papel de “passa recados” a uma senhora que incomodava com o seu telemóvel, não só a mim, mas também a outros espetadores que ali estavam. Não é só a malta jovem que não larga os telemóveis.
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