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“Coro das Águas”, por Seiva Trupe - Teatro Vivo.

Integrada na lista de companhias convidadas pelo antigo Ministro da Cultura (Pedro Adão e Silva) e pela Comissão para as Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril, a Seiva Trupe - Teatro Vivo, apresenta um espetáculo que revive o espírito da revolução e alerta para as ameaças contemporâneas contra a Democracia e as suas fragilidades. 

Neste projeto, Castro Guedes, foi quem idealizou e concebeu as componentes textual e de encenação. Pelo que foi anunciado, esta será a sua última produção com a companhia. 

Foi a primeira vez que abandonei um espetáculo a meio. O único até então que me apeteceu fazer o mesmo, foi a peça “Ilha de Morel”, de Fernando Guerreiro, numa coprodução entre o teatromosca e os Cães do Mar. Para minha sorte e de mais gente que assistia, a peça “Coro das Águas”, tinha um intervalo, o que permitiu que saíssemos sem perturbar os intérpretes e o restante público resistente. Uma experiência péssima, que desejo não voltar a repetir. 

A meu ver, o espetáculo apresentou uma sequência de falhas que levaram a essa fadiga - comentarei o que assisti, ou seja, a primeira parte. 

Questiono, logo ao início, a pertinência da ação da retirada tardia dos panos que tapavam a estrutura/parede no fundo do palco. Como referi, um momento bastante longo, que, caso a justificação seja a criação de ambiente para a restante peça, acredito que não resultou. 

Generalizo neste ponto a minha opinião em relação à componente textual. Na sua génese, uma ideia interessante, mas a sua concretização, com a utilização excessiva de metáforas e analogias, além da complexa composição textual, levaram à grave falha na comunicação entre cena - público. Se intelectualizo o meu discurso em excesso e tal mensagem não é retida, nem processada pelo público, qual é o objetivo do que estou a fazer? 

A cena entre a Avó, a Mãe e a Filha, foi uma tortura. Confirmo que as intérpretes tem uma boa projeção e dicção, mas o exagero dessas faculdades em cena levaram a um incómodo sonoro e uma desconexão com a ação devido à falta de emoção real (falta de genuinidade, algo demasiadamente técnico, mecânico e premeditado), para não falar do dramatismo exagerado, que, convenhamos, é algo datado. 

A cena do Senhor Sinistro, gostei e reconheço que foi uma “lufada de ar fresco” em relação às restantes cenas. Dinâmica, crítica e cómica. 

Um ponto que é facilmente modificável ao longo das restantes apresentações é um maior equilíbrio no volume do sistema de som. A certa altura, estava muito alto e era incomodativo. 

Por fim, a utilização de adereços, como o balão preto, as pétalas que vinham da teia e o batizado com o balão de água, considero que desvirtuaram o sentido pretendido. 

A minha primeira experiência com o trabalho da Seiva Trupe - Teatro Vivo, fica marcada como algo triste e desapontante.

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