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“Farol e o Uivo do Lobo”, por Teatro Loucomotiva.

O quão importante são as memórias? Recortes da vida que guardamos como marcos da nossa existência. Experiências e sensações que fomentam o nosso conhecimento e moldam a nossa personalidade, o nosso EU. 

Infelizmente, por doença, é possível perder essa capacidade tão preciosa. O alzheimer e a demência, são exemplos de doenças cerebrais degenerativas que afetam a faculdade de recordar. A vida sem memória é como uma tela em branco. Falta algo… falta cor! 

Para além daquele que se encontra num destino de perda constante da memória, também existem aquele que cuida, aquele que protege e auxilia. O cuidador informal, elemento fundamental ao longo de todo processo. Neste espetáculo, o Teatro Loucomotiva, apresenta-nos uma leitura segundo estas duas perspetivas. 

A conceção textual e direção estiveram a cabo de Alexandre Oliveira. 

Um trabalho muito interessante que joga entre a realidade e o imaginado. A viagem por uma mente inconstante, com todas as suas peculiaridades associadas. O retrocesso em luta direta com o progresso e a distopia do espaço tempo. Um ótimo equilíbrio entre os trabalhos de fisicalidade, máscara e contracena. O trabalho interpretativo de Alexandre Oliveira e Jaime Castelo Branco é louvável. A cumplicidade entre os dois resulta em algo delicioso para os sentidos do espetador. 

Destaco a opção de incorporação das andas, o que realçou a presença das personagens, os jogos cénicos com relação ao cenário e adereços (com o meu gosto particular para a interação com o candeeiro de rua) e o detalhe da criação do ambiente sonoro e musical ao vivo, de responsabilidade de Francisco Ferreira (elemento importante para acompanhar o público em tal viagem). 

Presenciei o processo de desenvolvimento da doença alzheimer por um familiar muito próximo. Um tema duro para muitos e, particularmente, toca-me profundamente. Com este espetáculo, descobri um certo “BELO” em tudo isto, uma luz ténue que surge no fundo do túnel. Os meus parabéns a toda a equipa!

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