Em celebração do centenário de Carlos Paredes, uma figura incontornável da música portuguesa e um dos grandes mestres da guitarra portuguesa, recordamo-lo através do magnífico repertório musical que nos deixou, para além de convicções estéticas em relação à música em Portugal e convicções políticas numa época regida pela censura do pensamento.
O espetáculo “Respirar Paredes”, como o próprio título sugere, permite viajar pela vida deste gigantesco músico que, por muitos é adorado e por outros desconhecido, que com esta experiência passam a conhecê-lo e adorá-lo.
Este recital performático teve como responsáveis pela coordenação, João Paulo Janicas (guião e estrutura dramatúrgica) e Simão Mota (estrutura musical).
Confesso que apenas conhecia superficialmente o nome e a obra de Carlos Paredes, mas este espetáculo permitiu ampliar o meu leque de conhecimento em relação a esta personalidade.
A componente dramatúrgica centrou-se na recolha de depoimentos, poemas e outros textos que contavam o percurso de Carlos Paredes e o contexto político e social em que vivia. Reconheço o meu gosto pelo formato de recital performático, uma união de duas ou mais artes performativas - neste caso, apenas o teatro e a música -, que se complementam e dinamizam a performance e a mensagem a transmitir ao público.
Quanto à componente teatral, tenho a dizer que ficou aquém. Trocas de personagens confusas sem códigos perceptíveis para o público (mil e um Carlos Paredes que já não sabia quem era quem), pelo menos a sessão em que fui, uma consecutiva falha no texto, com pausas de esquecimento que quebravam o ritmo e a linha emocional do espetador e, apesar do intimismo da apresentação (público reduzindo e bastante próximo dos intérpretes), havia dificuldade na escuta do que certos oradores diziam.
Em contraste, realço o excelente trabalho da componente musical. A conceção musical de Fábio Almeida, Simão Mota, Tiago Rodrigues e Vasco Rodrigues - os elementos do Quarteto de Coimbra -, mais a cooperação de Hugo Oliveira, João Fragoso e Ofélia Libório, que deliciaram os ouvidos de qualquer espetador. Uma performance brilhante que permitia os instrumentos comunicarem de modo que arrepiava.
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