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“«Sonho de uma Noite de Verão», de William Shakespeare”, por Teatro da Trindade INATEL.

A segunda peça que integrou a minha pequena agenda cultural de espetáculos teatrais na cidade de Lisboa, foi a tão comentada adaptação de Diogo Infante do clássico, “Sonho de uma Noite de Verão” de William Shakespeare. Uma peça em que o jogo de enganos é o pilar dos conflitos. Trocas de casais, amores e desamores e a exploração do ridículo, compõem esta obra fantástica (no duplo sentido). Algo que diferencia esta encenação das restantes, é a incorporação de temas musicais portugueses, dos mais diferentes estilos, que marcaram gerações e transformam esta história shakespeariana numa peça musicada (ATENÇÃO! Não confundir com MUSICAL). 

Como referido anteriormente, o encenador deste projeto é Diogo Infante, que teve como companheiros auxiliares de criação, Fábio Gil como assistente de encenação, Augusto Sobral na tradução do texto e Artur Guimarães na direção musical. 

Esta é a minha peça preferida de Shakespeare e, se a memória não me engana, foi a peça que mais vezes vi ser revivida em palco. Achei bastante interessante esta “versão portuguesa”. As músicas, escolhidas a dedo, completavam o pensamento da obra. As interpretações das mesmas e os jogos consequentes, também são elementos de destacar, como a primeira noite em que Hérmia e Lisandro dormem no bosque e a mistura musical protagonizada por Helena, Demétrio e Lisandro. A música ao vivo deu uma outra vida à encenação. 

Adorei a representação da micro peça “Píramo e Tisbe”. A exploração do ridículo chegou a um patamar muito, muito interessante, o que me levou a gargalhadas incontroláveis. 

Destaco o trabalho de figurinos de Dino Alves, mais concretamente com os seres místicos (Titânia, Oberon, Puck e as fadas). 

Inicialmente, estranhei o uso da tela de projeção - não achei que enquadrasse esteticamente com a proposta - mas, a partir da exploração na floresta, o jogo fez todo o sentido. A conceção do cenário virtual esteve sob responsabilidade de João Alves e Bruno Caetano. Aproveito este ponto para elogiar o jogo com as fadas nos alçapões. 

O desenho de luz de Cristina Piedade, aprimorou cada um dos tópicos mencionados anteriormente. 

Ao longo da peça tive alguma dificuldade em compreender o que era dito, pela alta velocidade em que os intérpretes debitaram o texto. Confesso não compreender a opção e acredito que esta escolha dificulta a compreensão do enredo pelo público.




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