Avançar para o conteúdo principal

“Pássaros Mortos Ainda Fazem Sombra”, por TEUC.

A distinção entre o sonho consciente vs. inconsciente, a confrontação entre o real e o ficcionado, a dualidade entre o desejo e a perda e a sensação oposta entre a luta e a inércia. 

Sob orientação de Vicente Baptista, os elementos do TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), procuraram afirmar, a partir de um pensamento existencialista, o poder dos seus corpos, ações, pensamentos e memórias, tanto para um estado pessoal, como comunitário. Quais são os sonhos/pesadelos que enfrentamos de olhos fechados? E de olhos abertos? Qual a nossa reação diante de tal estímulo? 

Como referido anteriormente, a encenação esteve sob o olhar de Vicente Baptista, a partir de uma criação textual coletiva. 

Este espetáculo foi apresentado em contexto do MTU’25 - Mostra de Teatro Universitário, uma festival cultural dedicado à arte teatral, numa colaboração entre o TAGV (Teatro Académico Gil Vicente) e a Universidade de Coimbra (grupos de teatro universitários). 

Uma apresentação com imagens interessantes, com destaque para os jogos de sombras nos corpos dos intérpretes. O foco no trabalho interpretativo, com vasta exploração corporal, apresentando várias construções e desconstruções, incrementou positivamente o projeto. A escolha da construção textual a partir de vários monólogos é legítima, mas não deixa de ser uma “faca de dois gumes”, no sentido que, o público já espera a sequência da ação (sucessão de monólogos), o que quebra a fantasia da viagem cénica. 
Apesar da apresentação contar com pensamentos interessantes, acredito que a cena final já tornava o espetáculo demasiado longo, ao mesmo tempo que não percebo a necessidade do encenador (Vicente Baptista) romper a parede entre o público e a cena para ler o texto final. Achei desnecessário. 

Por fim, quero comentar a importância da boa condição das salas de espetáculo. A sala onde foi apresentada a obra, não tinha ar condicionado, o que transformou a blackbox, não muito grande, com mais de sessenta pessoas, a aquecerem durante 1h20, mais ou menos, um verdadeiro inferno! Tal sensação fez com que grande parte do público, a certa altura, não prestasse atenção ao que acontecia em palco, mas sim à má disposição causada pelo calor em excesso.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

“INSULANAS” UM FILME TRI-PARTIDO, por André Moniz, Carolina Caldeira e Óscar Silva. | COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

Esta produção cinematográfica tem como tema central uma vivência que se designa pelo adjetivo "insular". A sua origem remonta ao latim "insularis", que se refere a quem vive numa ilha ou a quem lhe pertence.  Como o próprio título sugere, esta produção é um "Omnibus Film", ou seja, uma longa-metragem composta por três curtas-metragens individuais. Cada uma tem a sua própria narrativa, mas todas têm um tema em comum. O que significa o adjetivo "insular" para quem realmente o viveu?  A proposta partiu da APCA (Agência de Promoção da Cultura Atlântica), que desafiou estes jovens realizadores a escreverem sobre este tema, que, quer se apercebam, quer não, falam de si próprios, voluntária ou involuntariamente. A equipa é constituída pelas produtoras Inês Tecedeiro e Mariça da Silva.  (Acho importante frisar que a visualização deste filme e a eventual escrita deste comentário ocorreram após assistir a uma sessão antes do corte final do filme.)  A prime...

“Crendices - Quando o Medo Vem das Crenças”, por 4 Litro (Realização: Roberto Assis) | COMENTÁRIO: Luís Rodrigo

Aqui encontramos uma obra diferente daquilo a que o grupo 4 Litro habitualmente nos habituou. A sua origem está nas crenças populares madeirenses, das quais muitos já devem ter ouvido falar: a "Feiticeira". O argumento foi escrito pelo próprio grupo, enquanto a realização foi tanto dos 4 Litro como de Roberto Assis.  Algo que é importante realçar e que fizeram questão de mencionar na divulgação do filme é o facto de se tratar de uma obra genuinamente madeirense. Ao contrário do que acontece noutros países, Portugal não tem uma indústria cinematográfica propriamente dita e são poucos os projetos que chegam a ver a luz do dia. Esta situação é ainda mais grave nas ilhas, tanto na Madeira como nos Açores. Acho importante a realização de trabalhos autónomos por parte dos próprios artistas que nasceram e vivem lá. Independentemente da opinião individual de cada espectador ao assistir ao filme, é necessário louvar o mérito e o trabalho de todos aqueles que transformaram Crendices de...

“O Meu Super-Herói”, por Loup Solitaire.

Com a premissa de revisitar a viagem que seu pai havia feito nos anos 70, quando emigrou para França, Elmano Sancho, autor e intérprete da obra, procurou descobrir peças perdidas nesse processo de deslocação da terra em que se nasce, para uma outra onde se almeja a prosperidade. O arrancar das raízes na esperança de as replantar em solos mais férteis, num processo de adaptação complexo.  Elmano passou de uma concretização individual do projeto, a partilhá-lo com Shahd Wadi, depois de a escutar, por acaso, numa entrevista em que comentava o seu sonho de regressar à Palestina, sua terra de origem. Dois pontos de partida distintos, que se cruzam com a vontade de “se encontrarem”.  Como já referido, Elmano Sancho foi o responsável pela dramaturgia e encenação da peça, ao mesmo tempo que partilha a interpretação com Shahd Wadi. A assistência de encenação ficou a cargo de Paulo Lage.  Admito que a temática abordada é interessante e as duas perspetivas, apesar de distintas, segu...