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“LIBERDADE QUE TE QUERO MINHA”, por OITO - Oficina de Ideias das Terras do Oeste.

Imaginem a seguinte situação: um jantar de confraternização, em que a personificação de três pontos do espectro político (centro moderado, esquerda progressista e direita conservadora) são os convidados de honra. Se as redes televisivas estivessem presentes, certamente teriam espectadores suficientes para superar qual experiência de reality show já existente. 

Disputas ideológicas, coligações, disputa de eleitorado, debates intensos…, enfim, a representação da complexidade democrática, num espaço onde, tradicionalmente, se oculta tais assuntos: “não se discute política à mesa”. 

A peça foi apresentada no contexto do ‘Festival de Teatro de Machico 2025’, sob coordenação do Grupo de Teatro de Machico. 

Um projeto em que Ricardo Brito é o responsável pela concessão do texto e da encenação. 

Estimei o espetáculo no seu geral. A aplicação de uma linguagem cómica e bastante física para a comunicação de um tema complexo. Comparações entre a “selvajaria humana” existente dentro e fora do parlamento. Quem é que se salva? Nem o público neste caso, que é confrontado com críticas sobre as suas ações. 

Em relação à construção do espetáculo, um texto cativante, uma encenação agregadora e dinâmica, como destaque para as cenas da casa de banho, da luta de almofadas e da pizza. 

Não obstante, realço o cuidado para com a excitação em cena, mais precisamente com o momento da interrupção maior. A informação é captada através dos jogos de ironia e de manipulação. Já quando o volume vocal excede, automaticamente, é criada uma barreira que impede essa mesma captação pelo espetador.

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